Crónica do Brasil: Uma conversa com Lola Cruzeiro

É a partir do Brasil que Lola Cruzeiro observa o que em Portugal se faz na área dos sneakers, e não só, claro está. Se dúvidas houvesse, não hesitava em salvar os seus pares em caso de inundação e revela mesmo (sem assombro algum) que chorou uma vez que a loja Colette se enganou no envio de um par. Numa entrevista franca, Lola explica-nos como é gostar muito mais de sneakers do que outras coisas, as diferenças entre Portugal e o Brasil e o porquê de agora ser o primeiro dia do resto da vida do negócio dos sneakers em Portugal. Leiam a palavra de Lola.
 
Qual é o significado de algo como os sneakers na tua vida?
 
Os sneakers são provavelmente o que mais gosto no meu closet! Hoje em dia batalham com os saltos altos, mas vou sempre preferir os ténis! Costumo pensar que se acontecer alguma desgraça tipo inundação seriam o que eu levaria comigo se houvesse tempo!
 
 
Gostar de sneakers é uma obsessão como outra qualquer? É sempre tentador dizer que é fútil…
 
Acho que sim! Já deixei de comprar muita coisa para comprar um par específico, outras pessoas guardaram dinheiro para comprar iPhones, gadgets, bilhetes de concertos, cada um com os seus gastos e sua opinião! Por acaso nunca me disseram que era algo fútil, mas se o fizessem também não ia alterar o que sinto e penso!
 
 
Quais os sneakers mais valiosos (em todos os sentidos) da tua colecção?
 
Nike Air Max Patta X Parra Burgundy, Infrareds, e Puma X Sérgio Rossi em Silver.
 
 

Lola Cruzeiro | Sneakers Love Portugal
Lola Cruzeiro | Sneakers Love Portugal

 
 
Já perdeste a cabeça por algum par?
 
Ahah! Adoro a pergunta! Já perdi a cabeça por vários pares, posso até dizer que chorei uma vez que a Colette me enviou o par errado…
 
 
Sabemos que vives no Brasil actualmente – quais as grandes diferenças entre Portugal e Brasil em termos da indústria – lojas, negócio, comunidade…
 
Embora aqui em São Paulo tenha tantas pessoas como Portugal inteiro, arrisco-me a dizer que o estado das coisas é o mesmo! Não existe uma cultura de ténis. Os preços são terríveis, há poucas lojas, as que existem apostam em modelos mais comerciais em detrimento de modelos mais raros, há impostos de praticamente 100% para tudo o que é comprado no estrangeiro pela internet acima de 50 USD… torna-se complicado aumentar a colecção!
 
 
Em termos de desenvolvimento da indústria e do negócio dos sneakers – achas que estamos onde estamos porque merecemos, ou porque simplesmente somos pequenos?
 
Somos pequenos e temos pouco poder de compra! As grandes marcas também dão mais visibilidade a actores/modelos/bloggers que estão mais perto do público geral, do que acompanhar o percurso de quem “corre por gosto”! ‘It’s all about the business’ (e para o bem e para o mal é assim que tem eu ser)!
 
 
Ainda vamos ver uma colaboração de uma marca com lojas e marcas nacionais?
 
Eu acho que sim, Portugal teve este ano imensa visibilidade no exterior, têm saído guias de compras incríveis em revistas estrangeiras! Temos algumas lojas pequenas, mas penso que há aí muito potencial para explorar! O calçado português é um dos melhores do mundo, há várias marcas conceituadas que fazem o calçado todo na nossa região nortenha. Só precisamos de ter mais orgulho no que fazemos, pois às vezes parece que somos os últimos a tê-lo.
 
 
Por fim, uma sugestão/ideia que torne o movimento sneaker em Portugal mais forte.
 
Temos pessoas com grande conhecimento, muito estilo, óptimas coleções! Precisamos que elas tenham mais visibilidade, mais voz. Nunca houve tanto hype pelos ténis como há agora, está na hora de aproveitar, de escrever sobre isso, de se fotografar, falar com quem sabe e anda nesse mundo há vários anos, tenho a certeza que têm muitas histórias interessantes para partilhar!